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Investimento Direto Estrangeiro na China

Investimentos da China no Mundo


Investimento Direto Estrangeiro na China

Os índices impressionantes de crescimento da economia chinesa nas duas últimas décadas - que a transformaram na quarta maior economia global em 2005, com perspectivas de ultrapassar todas as demais em algum momento entre 2025 e 2035 - calcaram-se em um modelo de desenvolvimento exportador, acompanhado por expressivo crescimento do investimento direto estrangeiro (IDE). É um mito, entretanto, que a prosperidade chinesa encontra sua gênese no influxo de recursos externos: o capital estrangeiro responde por apenas 12% do investimento na China, superado de longe pelo setor estatal, que fica com quase 50% do total investido, e pelo setor privado doméstico, com mais de 40%. Ainda assim, o IDE foi e é um importante componente do processo de crescimento econômico da China, garantindo-lhe acesso a tecnologias inovadoras nas áreas de produção e gestão, centros de pesquisa e desenvolvimento mantidos por multinacionais (hoje cerca de 700) e lugar privilegiado no desenho das estratégias corporativas multinacionais e do comércio intra-firmas, base da crescente integração econômica da Ásia e da projeção comercial chinesa no mundo.

Partindo de níveis modestos nos anos oitenta, o investimento direto estrangeiro na China acelerou-se nos anos noventa, pouco sofreu com a crise asiática de 1997 e voltou a crescer a partir de 2000. Em 2003, a China chegou a superar os EUA como maior recipiente de IDE no mundo, com ingressos de US$ 56 bilhões. Em 2004, recebeu US$ 60,6 bilhões; em 2005, US$ 72,4 bilhões. Cerca de 450 das empresas "Fortune 500" já estão presentes na China, e o estoque de IDE do período 1979-2005 está em mais de US$ 600 bilhões. O governo intervém diretamente na definição de setores prioritários para investimento e, nos últimos anos, vem estimulando sua dispersão espacial, para as regiões "preferenciais" do centro e do oeste do país, de menor desenvolvimento relativo. Nos dois casos, utiliza com maestria instrumentos como incentivos fiscais, cambiais e de financiamento, além de bem-conhecida pressão política.
A despeito dos benefícios que o IDE trouxe à China, há sinais de que o governo central pode estar abandonando a política de "encorajamento ativo". Nos últimos meses, diversas grandes corporações globais encontraram dificuldades em concretizar investimentos na China, em particular nas transações envolvendo aquisição de empresas locais, em setores tão diversos como maquinaria, papel, bancos e corretoras de valores. Especula-se que a alíquota preferencial de imposto de renda para empreendimentos externos, 15% em lugar dos habituais 24% a 33% pagos por empresas domésticas, possa cair esse ano. Restrições acabam de ser impostas ao investimento estrangeiro no mercado imobiliário; a internet parece ser o próximo alvo. O próprio incentivo ao estabelecimento de centros R&D por investidores estrangeiros pode estar sob suspeição, acusado de drenar os melhores cientistas locais e privar o país de desenvolver tecnologia "genuinamente local", não propriedade de terceiros. Por detrás do debate, está o temor de que a China continue a ser mera provedora de mão-de-obra barata para o ganho das empresas multinacionais, maliciosamente interessadas em monopolizar os setores mais dinâmicos e estratégicos da economia doméstica.

Ainda assim, a China continuará muito atraente, tanto pelos baixos custos de produção, quanto pelo potencial de seu mercado interno: já conta com 350 milhões de consumidores, que serão ao menos 700 milhões em 2020, mudando o perfil de um investimento que ainda se caracteriza por sua concentração no setor manufatureiro e pela forte vocação exportadora: o IDE responde por quase 60% do total das exportações chinesas, percentual que chega a 88% para produtos de alta tecnologia. A tendência ao aumento das inversões no setor de serviços (bancos, corretoras, setores de distribuição e de comércio, entre outros) é um dos passos nessa direção.


Investimentos da China no Mundo

O Ministério do Comércio e o Escritório Nacional de Estatísticas da China divulgaram, em 4/9/2006, relatório com os números revistos da inversão da China no mundo em 2005: em 2005: foram US$ 12,26 bilhões, excluindo o setor financeiro - mais do dobro de 2004 - ano que, por sua vez, vira tembém dobrar o montante investido em 2003. Temos, portanto, uma expansão acelerada - mas em relação a uma base ainda baixa. Em termos relativos, tendo presente a dimensão da economia chinesa, tanto o fluxo atual quanto o estoque do investimento chinês total - US$ 57,2 bilhões no final de 2005 - estão ainda bem aquém dos valores registrados no mundo desenvolvido e em outros países em desenvolvimento.

O principal destino dos investimentos chineses ano passado foi Hong Kong, que recebeu 16,5% do total; Estados Unidos, Rússia e Japão são os seguintes da lista; os quatro juntos receberam 46% do total investido. Cerca de metade do investimento materializou-se como fusões e aquisições, nem todas eficientes em termos de geração de valor, segundo analistas especializados. Os motores principais da inversão externa são hoje, claramente, (a) a necessidade de assegurar acesso a recursos energéticos e matérias-primas no exterior (a exemplo de aquisições de companhias ou campos petrolíferos na Ásia Central e África),(b)a expansão de mercados em setores caracterizados internamente por aumento da competição e excesso de capacidade e (c) a aquisição de tecnologias avançadas, marcas internacionalmente conhecidas e "know-how" de gestão.

O governo vem procurando estimular o investimento chinês no mundo, tanto política como financeiramente, desde pelo menos a acessão à OMC, em 2001: um exemplo recente foi o generoso pacote de financiamento semi-público para a fracassada compra da petrolífera californiana UNOCAL pela CNOOC chinesa, no ano passado. O objetivo dessa política, conhecida pelo auto-explicativo slogan "going global", é desenvolver campeões nacionais em diversas áreas, como petróleo e gás (SINOPEC, PETROCHINA, CNOOC), aço (Baosteel), alumínio (Chalco), telecomunicações (Huawei), computação (Lenovo) e linha branca (Haier, Galanz), entre outros.

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