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SETOR ECONÔMICO   A Indústria na China

Já se tornou um lugar comum descrever a China como a "plataforma manufatureira" global, e não por acaso. Quarto maior parque industrial do mundo, atrás apenas dos EUA, Japão e Alemanha, a China exibe números impressionantes no setor, que responde por quase metade do PIB: 50% dos sapatos, 40% dos computadores e 40% dos brinquedos produzidos atualmente saem de fábricas chinesas. Uma única empresa de Cantão, a "Galanz Group Co.", produz 35% dos fornos de microondas do mundo. Da província de Jiangsu, no leste altamente industrializado, provêm nada menos do que 65% dos "mice" de computador comercializados em escala global. E a China quer mais: em sua linha de mira mais imediata estão o desenvolvimento da indústria automotiva exportadora e da aviação civil.

A industrialização da China está diretamente associada ao processo de modernização e abertura da economia iniciado em 1978 - ano em que as primeiras empresas de Hong Kong foram autorizadas a oferecer contratos de processamento exportador a oficinas de montagem em Cantão. Os contratos ampliaram-se nos anos seguintes, estimulados pelas novas reformas do período 1984-88 e pela estratégia dos "tigres" asiáticos de deslocalizar a produção em busca de mão-de-obra barata, atraindo volumes crescentes de investimento direto estrangeiro. O IDE foi submetido, de início, a um regime bastante restritivo, incluindo obrigatoriedade de empreendimentos conjuntos, requisitos de conteúdo local e desempenho exportador. Apesar da subsequente flexibilização das regras, continua sob criteriosa orientação governamental, com recurso a incentivos de várias ordens destinados a estimular a inversão em áreas estratégicas e garantir a transferência de tecnologia. Os atuais 282.000 empreendimentos estrangeiros mantêm cerca de 700 centros de Pesquisa & Desenvolvimento (R&D) Industrial no país.

A China dispõe de uma rede de mais de 50 "zonas especiais" exportadoras e de desenvolvimento tecnológico, com facilidades importadoras e intensa competição entre as localidades por investidores. De início concentradas na costa, elas espalham-se hoje por todo o país, respondendo por cerca de 60% das exportações de maior sofisticação tecnológica. A decisão de permitir investimento estrangeiro não-exportador a partir de 1992 e o início da privatização das empresas estatais, de 1998 adiante, avançou ainda mais na efetiva "globalização" da indústria chinesa: o estoque de IDE está em torno de US$ 600 bilhões, tendo aportado ao país, além de que recursos financeiros, tecnologias, know-how e modernas estratégias de gestão.

A despeito do dinamismo cada vez maior do setor privado, as empresas estatais continuam a desempenhar papel fundamental na economia; ainda respondem por boa parte da produção industrial e do emprego urbano, atuando em áreas estratégicas como petróleo, geração energética, produção de alumínio e aço, além do setor agro-alimentar.
A indústria chinesa representa 46,2% do PIB (manufaturas, 40,8%), tendo sido beneficiada por uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo em que se destacam a estabilidade macroeconômica sustentada (déficit abaixo de 3% do PIB, controle da inflação, superávit em contas correntes, reservas internacionais elevadas), intervenções macroeconômicas anticíclicas (como a expansão keynesiana de crédito e gastos após a crise financeira asiática em 1998 ou as restrições de crédito e investimento aplicadas a setores "sobreaquecidos" em 2004), taxas robustas de investimento, sobretudo em infraestrutura, preservação de forte presença econômica estatal, política industrial e tecnológica pró-ativa, atualmente com foco em setores de tecnologia avançada, bem como acesso facilitado ao crédito doméstico, ainda abundante e barato.

Problemas também existem. A China teme o aumento das pressões protecionistas globais, freio potencial ao crescimento da indústria exportadora: a notar o aumento dos casos anti-dumping contra produtos chineses, as salvaguardas "têxteis" e "gerais" do Protocolo de Acessão à OMC e os ruídos inamistosos do Congresso dos EUA. Custos de produção crescentes também são uma realidade. A mão-de-obra está ficando mais cara, sobretudo nas áreas de maior concentração industrial do sudeste. Os custos energéticos vêm crescendo com a decisão governamental de abandonar progressivamente os preços controlados de petróleo, gás e eletricidade, migrando para um sistema de "preços de mercado". Também serão inevitáveis maiores gastos com proteção ambiental, para conter um quadro que beira o desastroso em inúmeras províncias, e com logística de produção, voltada à instalação de um sistema realmente integrado de transporte multimodal. Além disso, há os desafios auto-impostos pelas autoridades econômicas e de planejamento: desenvolver tecnologia "doméstica", proteger a propriedade intelectual autóctone e de investidores externos e estimular o desenvolvimento de marcas chinesas que possam competir internacionalmente, a exemplo das pioneiras Lenovo e Haier.

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