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O Sistema Financeiro Chinês

Dívida Externa, Reservas Internacionais e Taxa de Câmbio da China

PIB da China em 2005


O Sistema Financeiro Chinês

Apesar das reformas dos últimos anos, o sistema financeiro da China continua pouco eficiente e inadequado ao tamanho e crescente sofisticação da economia doméstica - problemas legados por décadas de uma economia fechada e centralmente planificada. O Governo continua a desempenhar, embora em menor escala, papel relevante na alocação de créditos e no custo do capital.

O setor bancário é dominado por quatro bancos estatais comerciais, que detêm cerca de 60% da capitalização bancária e percentual similar de empréstimos: Banco da China (BoC), Banco de Construção da China (CCB), Banco Comercial e Industrial da China (ICBC), e Banco Agrícola da China. Pouco lucrativos, marcados por cultura e estrutura burocráticas e por altíssimo percentual de empréstimos "podres" (estimado entre 20 a 25% do total), os "quatro grandes" vêm sendo submetidos a uma política de saneamento a partir de 1998, que já custou US$ 280 bilhões e demandará pelo menos outros US$ 200 bilhões, com o objetivo de transformá-los em bancos modernos e rentáveis. A injeção de capital estrangeiro e a abertura do capital em bolsa também são parte desse processo. Em 2005, o Bank of America comprou 9% do CCB, o Royal Bank of Scotland 10% do BoC e um consórcio liderado pela Goldman Sachs prepara-se para adquirir 10% do ICBC, com outras operações menores em tratativas. Com enorme procura, o CCB conduziu exitosa Oferta Pública Inicial em Hong Kong, negociando 14% de seu capital por US$ 9,2 bilhões, e o Bank of China fez o mesmo em maio de 2006, levantando mais de US$ 11 bilhões ; o ICBC pretende seguir seus passos neste segundo semestre do ano, em operação que pretende arrecadar mais de US$ 15 bilhões.

Quatro bancos estatais de políticas públicas - Banco de Desenvolvimento Agrícola, Banco de Desenvolvimento da China, Banco de Exportação e Importação da China - foram criados em 1994, com quase 10% da capitalização total. Há também cerca de 180 bancos comerciais de estrutura mista, combinando capital estatal e privado, com 18% da capitalização total. Sua cultura corporativa moderna torna-os mais lucrativos e atraentes para bancos e instituições financeiras estrangeiros: o HSBC já controla 19,9% do "Communications Bank" e o CITIGROUP 5% do "Shangai Pudong Development Bank". Inúmeros pequenos bancos das cidades atuam em seu entorno urbano imediato, e algo como 50.000 cooperativas de crédito atendem a pequenas e médias empresas e indivíduos, com atividades ainda marcadas por forte orientação política.

O segmento de bancos estrangeiros computa 211 instituições e deve ser impulsionado pelos compromissos de abertura resultantes da entrada da China na OMC, que prevê o fim de todas as restrições de estabelecimento e operações no final deste ano, 2006. Apesar disso, a agência regulatória setorial - a "China Banking Regulatory Commission" - deve continuar a implementar uma expansão administrada dos bancos de capital externo, mantendo como regras gerais o teto de 25% participação do capital estrangeiro em instituições locais - com um máximo de 20% por investidor individual e exigência de presença nas províncias menos desenvolvidas do centro e do oeste da China.

O mercado de capitais, que tomou forma com o estabelecimento das bolsas de Xangai e Shenzen em 1990, ainda não decolou como provedor de recursos para o sistema produtivo: a parcela do financiamento corporativo captado em bolsa ainda é pequena. Regras draconianas, excesso de ações (cerca de 2/3 do total) em mãos do Estado, não-distribuição de dividendos, corrupção e operações ilegais assustaram potenciais investidores, levarando a uma violenta queda nos últimos anos: em junho de 2005, o Índice Compósito de Xangai havia despencado 56% do pico em junho de 2001, a despeito do extraordinário crescimento da economia chinesa no período.

Reformas iniciadas há dois anos estão aos poucos revertendo essa situação. Depois de decretar o cancelamento de dezenas de transações fraudulentas e cassar licenças de funcionamento de diversas corretoras, o governo permitiu a paulatina transformação de ações "estatais" em ações negociáveis e, mais recentemente, a retomada das ofertas públicas iniciais de capital, suspensas em abril de 2005. Como resultado, o mercado acionário chinês subiu 60% em um ano; só no primeiro semestre de 2006, foram abertas 600.000 contas de acionistas, com ingresso de US$ 12 bilhões em "dinheiro novo" - elevando a capitalização total de Xangai e Shenzen a US$ 675 bilhões. Apesar de quedas recentes, a valorização da Bolsa de Xangai supera os 45% de setembro de 2005 a setembro de 2006.

Dívida Externa, Reservas Internacionais e Taxa de Câmbio da China

A dívida externa chinesa é modesta em relação à economia, totalizando US$ 288 bilhões no primeiro trimestre de 2006 (US$ 281 bilhões ao final de 2005), dos quais US$ 161 bilhões correspondem à dívida de curto prazo. Todos os indicadores relativos à capacidade pagadora do país estão bem abaixo da "linha de alarme" aceita internacionalmente. Em 2005, o serviço da dívida representou 3,07% da receita fiscal (máximo aceitável 20-30%), a relação dívida externa/PIB ficou em 12,53% (o alerta acende em 20-30%) e a relação entre dívida externa e receita em moeda estrangeira foi da ordem de 33,59%, quando o máximo recomendável oscila entre 100-165%.

Os números da dívida equivalem a menos de um terço das reservas internacionais do país, cuja evolução nos últimos três anos mostra bem a dimensão quase "magnética" da economia da China na captação de capitais internacionais: crescimento de US$ 190 bilhões entre 2003 e 2004, ano em que as reservas ficaram em US$ 609 bilhões, novo salto de US$ 200 bilhões para US$ 818,9 bilhões em 2005, e ingresso de outros US$ 121 bilhões só no primeiro semestre de 2006 - levando as reservas totais (excluindo Hong Kong e Macau) a inacreditáveis US$ 941,1 bilhões em junho, com o que a China superou o Japão como o "número 1" do ranking mundial. Especula-se que cerca de 70% desse valor pode estar denominado em dólares norte-americanos, tanto em bônus do tesouro como em títulos corporativos e institucionais - um risco político para os EUA.
Decorrido pouco mais de um ano do fim da paridade renminbi-dólar pela taxa de 8,28 (vigente de 1994 a julho de 2005), da valorização de 2,1% da moeda e da instalação de um regime cambial flutuante e "de mercado", a moeda chinesa valorizou-se em menos de 4%; o câmbio atual (setembro de 2006) é de 7,95 por dólar. O Banco Central chinês continua a manter a flutuação estável e a apreciação em patamares modestos, por motivos tanto econômicos como políticos.

A valorização acelerada do renminbi terá impacto direto sobre a atividade econômica, desincentivando a exportação em setores com margens de lucro muito apertadas e afetando as taxas de crescimento e desemprego da China, politicamente sensíveis. Também resultará em prejuízo para o Tesouro chinês, pela perda de valor da substancial parcela das reservas denominadas em dólar. Se a moeda estabilizar-se, por outro lado, aumentarão significativamente os riscos de fricção com o Congresso e o Governo dos EUA, que vêem no câmbio chinês uma das causas centrais de seu enorme déficit comercial - explicação conveniente que os preserva de enfrentar as raízes do problema na própria economia norte-americana.

Seja como for, os últimos dois meses revelaram uma ligeira aceleração do ritmo ascendente da moeda, que deve continuar daqui por diante. Trata-se de um movimento delicado, que exigirá cuidadosa calibragem das autoridades cambiais chinesas, premidas entre as realidades da economia doméstica, o evidente desequilíbrio que o renminbi desvalorizado aporta ao sistema financeiro internacional, e a continuada pressão de alguns importantes parceiros internacionais da China.

PIB da China em 2005

O Escritório Nacional de Estatísticas (NBS) da China anunciou, em 30 de agosto, a revisão "a maior" do PIB de 2005, que cresceu 10,2% e não 9,9% como previamente anunciado, para US$ 2,289 trilhões e não US$ 2,279 trilhões como anunciado em janeiro deste ano.

Repete-se, portanto, o ocorrido ano passado, quando o PIB de 2004 foi revisto para 16,8% a mais. Segundo o NBS, o "novo" peso do setor industrial no PIB ficou em 47,5%, o do setor serviços em 39,9% e o da agricultura em 12,6%

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